Nascimento da Sofia

September 25, 2017

E hoje tem vídeo com relato de parto. Está emocionante demais! Preparem os lencinhos!

Bebê pélvico, bolsa rota, trabalho de parto que não engrenou, cesárea bem indicada, informação, equipe respeitosa, casal mais lindo, acolhimento e muito amor. Sofia chegou!

 

 

Relato: 

 

"O meu relato começa com dois aprendizados que a Sofia nos deu antes mesmo de nascer: 1) "não crie expectativas!" 2) "Você não tem controle sobre nada na vida!". Partindo por aí vamos ao relato: Quem teve contato comigo durante a gestação ou até mesmo antes dela sabe o quanto eu falava do parto natural, do quanto eu desejava ter essa experiência na vida..e o parto da Sofia tinha tudo para ser assim natural. A gestação foi normal e uma delícia, muitas vezes até esquecia que estava grávida. 
Nas primeiras ultras Sofia estava com apresentação cefálica (cabecinha para baixo) o que não quer dizer nada afinal bebês se movimentam a gestação toda...mas a gente sempre ficava feliz em saber. Um certo dia, por volta da 30° semana, Sofia nos deu um susto e tive que fazer uma ultra de emergência que graças a Deus estava tudo bem , mas nela descobrimos que a Sofia havia virado e estava pélvica (ou seja, sentada)...sabíamos que ela ainda podia virar e apesar do medo não nos importamos tanto. Realizamos outra ultra por volta de 33 semanas e ela seguia sentadinha. Falamos com a Thita, nossa doula, e ela nos orientou a fazer alguns exercícios para que ela virasse e ao mesmo tempo nos encorajava de que se ela não virasse existia a opção do parto pélvico. A partir daí começamos uma rotina diária de exercícios (com o Léo sempre muito presente..aliás que paizão, mas isso é textão pra outro post)...até que um belo dia tive uma sensação diferente e jurava que ela tinha virado. Mas para a nossa decepção uma ultra com 37 semanas confirmou que ela ainda estava pélvica. Nesse dia meu mundo caiu! 
Conversamos com a nossa obstetra Bernardette Bousada, maravilhosa, que nos acalmou e falou que o parto natural pélvico é possível, mas sempre nos informando que mesmo sendo apenas uma apresentação diferente para o nascimento que esse tipo de parto requer alguns cuidados: o trabalho de parto tem que acontecer naturalmente, não pode fazer indução, não pode tomar anestesia e a bebê não pode ter mais de 3,8kg... depois nos mostrou alguns vídeos para nos encorajar ainda mais...foi uma consulta de muito choro (sou muito chorona), muita conversa e aprendizado..para que juntos pudéssemos decidir como conduzir. Assim, a partir de então.. tendo todas as informações..decidimos deixar Sofia vir ao mundo como quisesse e quando quisesse ( ou seja, sem agendar cesárea, sem fazer a versão cefalica externa, que é uma manobra pra virar a bebê). Decidimos apenas continuar com medidas não invasivas (ainda na esperança de ela virar, mesmo sabendo que com o tempo de gestação que estávamos era bem difícil), ou seja, continuar com os exercícios e acupuntura. 
A consulta com a Bernadette foi na quinta...na sexta resolvi fazer uma acupuntura, afinal dizem que pode fazer o bebê virar...então bora lá! Consegui um encaixe e vamos lá tomar agulhada. A sessão de acupuntura começou e a bebê mexeu muito, de uma forma que ela não mexia há tempos, pronto alimentou a esperança...será que ela vira!? 
Algo me dizia que ela iria nascer naquele dia... até porque na semana eu estava tendo alguns comportamentos diferentes como arrumar o ninho e umas sensações estranhas. O dia passou encontrei minha mãe, meu irmão, meu pai e enrolei pra voltar pra casa porque não sei nem ao certo, mas me vinha uma sensação de não querer ficar sozinha..e se eu fosse pra casa não teria ninguém lá. Nesse dia tínhamos a despedida de uma amiga, então fiquei na casa dos meus pais até o horário do encontro...o encontro com os amigos foi ótimo, mas eu estava tendo mais contrações de treinamento do que costumava ter e estava me sentindo estranha...ao chegar em casa fomos logo dormir e pouco tempo depois, por volta das 4hs da manhã de sábado, acordei gritando: "Ihh, ou minha bolsa estourou ou eu fiz xixi nas calças!!" Hehehehehehe Léo acordou desesperado...- "o que temos que fazer mesmo? Ahh, ligar pra doula!" Eu não sabia se ria, se chorava...só conseguia pensar..putz em breve as contrações estão aí... 
Leo falou com a doula, mas ela estava com outra gestante e nos orientou a descansar pois o trabalho de parto poderia demorar ainda e precisávamos estar descansados...lembro que olhamos um pro outro e falamos: " E agora, como dormir?" Eu devia ter seguido a orientação e dormido mesmo...mas só devo ter cochilado uns 15 minutos..fiquei muito ansiosa. 
A noite passou tive apenas algumas cólicas, mas nada de contração. Acordamos ligamos para a Bernadette que falou: " é hoje!!". O dia passou entre muitas contrações sem ritmo...sempre em contato direto com a obstetra. Até que de noite o telefone toca é a Bernadette (que mulher incrível, que sensibilidade...nunca vou me esquecer) ela perguntou: " você está com medo? Quais os seus medos, não precisa me responder é pra você mesmo? Você já chorou hoje? Pode chorar...depois disso ela explicou que como a bebê estava pélvica e a bolsa tinha estourado que tínhamos segurança de ficar assim por até 48hs, depois disso teria que induzir, mas como a bebê estava pélvica teria que ser uma cesárea...antes de desligar ela disse: " tem uma receita ótima, banho no escuro...é ótimo pra chorar." Na hora eu pensava eu não estou com medo de nada eu acho...mas hoje eu sei o quão sábia ela foi...eu estava com medo de tudo, da dor, de me tornar mãe, de estar em casa em vez de em um hospital... e depois que ela desligou eu chorei, na hora eu nem sabia porque... mas eram todos esses medos. Leo decidiu sair de carro comigo pra eu me distrair e gritar, liberar meu medo de gritar e as pessoas acharem que eu sou doida hehehehehe passado o chororo e os gritos no passeio as contrações começaram a vir ainda sem ritmo, mas com mais frequência....e a Bernadette sempre acompanhando e trabalhando com nosso psicológico, falando que eu tinha que me permitir perder o controle e que ela estava ali para controlar o que precisasse ser controlado (eu já falei que ela é maravilhosa!?)...hoje eu entendo que o trabalho de parto é um processo de entrega, de confiança... porque perder o controle é necessário ( logo eu, super controladora...sente o aprendizado). Num determinado momento ela disse que iria dormir, mas que era só chamar que ela estava pronta pra sair de casa, Léo também falou que iria dormir...e nisso...as contrações pararam. 
No dia seguinte Léo acorda comigo chorando..."as contrações pararam!!". Ligamos para a Bernadette e ela falou para nos encontrarmos na Perinatal que ela iria me avaliar. E adivinhem as contrações voltaram com tudo...que maravilha!!! Daí como psicóloga interpretei logo...que o ambiente hospitalar me deixava mais segura. Chegando lá recebi aquele abraço acolhedor da Bernadette e da Giovanna, sua filha, que me deu mais energia. Após a avaliação descobrimos que não havia dilatado nada...e que a Sofia seguia pélvica e alta...ou seja, nada de indução...podíamos esperar mais um pouco até às 4hs da manhã de domingo pra segunda ou fazer a cesárea. 
Leo e eu conversamos e decidimos esperar mais um pouco no hospital, afinal as contrações estavam vindo com mais frequência....quem sabe engrenava, mas estipulamos uma margem de segurança até às 16hs de domingo para as coisas evoluirem. Comunicamos a Bernadette e ela falou que foi uma boa decisão, que iria para casa então e que qualquer coisa para ligar e que as 16hs ligava pra gente. O dia passou e as contrações novamente sem ritmo...15:40 eu comecei a chorar falando não deu! Leo me abraçou também bem sentido...nesse momento chega a nossa fotógrafa incrível, que nos acolheu sem nunca ter visto a gente pessoalmente. Falamos com a Bernadette que iríamos fazer mesmo a cesárea, ela disse que iria juntar a equipe e já estava a caminho. Fizemos a despedida da barriga, aos prantos...Léo, eu, Sofia e toda a sensibilidade das lentes da Débora. 
Berna chega me acalma, me lembra que cesárea quando bem indicada salva vidas...e me diz...essa é uma indicação pra cesárea. Lembro de ter dito...será que ela tá pronta pra nascer, será que é o tempo dela? E logo depois enquanto coloco a roupa do centro cirúrgico vejo mecônio...e sou informada esse é mais um sinal que de que ela está pronta pra nascer. 
No caminho pro centro cirúrgico eu chorei, chorei como nunca antes....vejo a equipe e eles me perguntam porque você está chorando e eu disse: estou com medo da anestesia, da cesárea...e nesse momento mais uma vez me encanto com a equipe, além de me acalmarem me explicando cada coisa, recebi carinho, cafuné, quando paro de chorar percebo que toca música no centro cirúrgico, percebo que a sala está quentinha e começo a escutar o ambiente super descontraído...a equipe toda brincando, fazendo com que eu me sentisse em casa. Depois do parto Berna me pergunta: "Não foi o parto que você sonhou, mas pelo menos você ficou bem, se sentiu respeitada e confortável? Dentro do possível foi bom?" E eu só pensava... não foi o parto que sonhei, mas foi incrível. Tudo que era feito me foi informado, logo que a Sofia nasceu ela veio pro meu peito, aliás, como foi lindo esse nosso primeiro encontro...aqueles olhos abertos me olhando e quando eu falei com ela, ela simplesmente parou de chorar!
O vídeo da Débora mostra a essência de toda essa experiência!!! 
Obrigada a todos os envolvidos; primeiramente ao Leonardo Rodrigues Zangrando pela parceria, por me dar forças quando eu já estava cansada e por enxugar minhas lágrimas quando eu sei que você mesmo estava arrasado; à Bernadette Bousada a obstetra mais maravilhosa da vida que tem uma sensibilidade incrível; à Giovanna que assim como a mãe é tão incrível quanto; à Ana Luiza, a anestesista, mais fofa que já conheci; ao Jofre, o pediatra, por ter tratado a nossa Sofia com todo o respeito que um bebê merece ter ao nascer; à Thita Ferreira, que mesmo não conseguindo comparecer no dia fez um trabalho super bacana antes e depois do parto e à Débora Silveira, nossa fotógrafa, pelo registro desse momento tão especial para nós e por ter nos consolado e nos acolhido em diversos momentos, vocês vão ficar em nossa memória para sempre! Gratidão eterna!

 

 

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